Durante a minha vida,
eu senti o peso das palavras não ditas,
senti o peso do grito que ficava no fundo da minha garganta,
senti o peso do pássaro,
preso na gaiola do meu corpo,
senti tudo,
e ao mesmo tempo,
eu não senti nada.
Senti as idas e as despedidas de quem dizia que me amava,
mas não sentiu em querer,
não senti amor,
não senti os fogos de artifício,
que os livros de amor me diziam,
e eles me prometeram tanto.
Senti queimar o peito,
e os pés pareciam pisar em cacos de vidro,
toda vez que eu tentava seguir em frente,
toda vez que eu olhava para o céu e tentava acreditar na minha própria mentira.
O amor existe sim,
o amor é leal,
o amor é capaz de curar qualquer ferida não cicatrizada,
mas afinal,
cadê o amor,
cadê o amor que não chega,
cadê o amor para me fazer acreditar de novo?
Será que a minha vida é um caminho sem volta,
será que é um caminho sem ida,
é um caminho de mentiras,
cadê o amor?